Aos 77 anos, morador dá exemplo de cidadania e cuidado ambiental em Jandira

Jandira Coluna

Por: Adriana Biazoli 

Em tempos em que tanto se fala sobre meio ambiente, cidadania e responsabilidade coletiva, ainda são os gestos silenciosos que mais ensinam. Aqueles que não ganham holofotes, não rendem discursos, mas transformam o entorno de forma concreta. Foi assim no bairro do Jardim Gabriela, numa cena simples, quase despretensiosa, mas carregada de significado.

Seu Antonio Geraldo tem 77 anos e é morador do bairro há mais de quatro décadas. Chegou quando as ruas ainda não tinham asfalto e muitos terrenos permaneciam vazios, marcados pelo mato alto e pela poeira. Magro, alto, de fala rápida e afetuosa, ele carrega no corpo o tempo e, no olhar, uma disposição rara. Aposentado, segue trabalhando como pedreiro, na função de azulejista, não apenas por necessidade, mas por dignidade e gosto pelo fazer.

A casa de seu Geraldo fica próxima a uma escola, já no bairro Gabriela. Num domingo comum, durante um passeio com o cachorro, chamou a atenção a limpeza realizada próxima ao muro da unidade escolar. A impressão inicial foi quase automática: a escola deve ter providenciado a retirada do lixo e do mato, afinal, as aulas estão prestes a recomeçar. Mas a realidade era outra.

Ao encontrar seu Geraldo, veio a surpresa. A limpeza não foi feita por órgão público, nem por ação institucional. Foi ele. Sozinho. Sem aviso. Sem pedido. Sem esperar reconhecimento.

A atitude revela mais do que cuidado com o espaço físico. Revela pertencimento. Seu Geraldo não vê aquele espaço como “do outro”, “da escola” ou “da prefeitura”. Para ele, o bairro é extensão da própria casa. É onde crianças passam, brincam, aprendem. Um ambiente que merece atenção, zelo e respeito.

Ao falar sobre o local, seu Geraldo aponta com clareza os problemas causados pelo descarte irregular de lixo e entulho: ratos, baratas, insetos, risco à saúde e ao bem-estar da comunidade. Sem placas, sem fiscalização constante, ele reconhece que as pessoas sabem que é errado, mas ainda assim não respeitam.

Enquanto muitos aguardam ações externas, seu Geraldo age. Não reclama, não aponta culpados, não transfere responsabilidades. Ele faz. E, ao fazer, ensina. Ensina que cuidar do meio ambiente também é recolher o lixo, capinar o mato, preservar o espaço comum. Ensina que cidadania não tem idade e que o exemplo vale mais do que qualquer discurso.

Talvez, se não fosse a curiosidade jornalística, ninguém soubesse quem realizou aquela limpeza. O problema do entulho espalhado pela cidade se repete em diferentes pontos e atravessa gestões, governos e esforços públicos. Ainda assim, práticas como essa continuam.

Histórias como a de seu Antonio Geraldo lembram que a transformação social não começa apenas em grandes projetos. Ela nasce nos pequenos gestos. Começa quando alguém decide não esperar. Apenas agir.

E, silenciosamente, fazer acontecer.

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Sobre a Autora

Adriana Biazoli

Adriana Biazoli é jornalista, escritora, contadora de histórias e apaixonada pela arte de comunicar. Já atuou como radialista, apresentadora de TV e mestre de cerimônias, mas é entre crianças, festas e histórias que encontra sua verdadeira paixão. Com olhar sensível e escuta atenta, transforma encontros do cotidiano em narrativas que tocam o coração. Seu propósito é ensinar pessoas a se comunicar bem, com palavras, com presença e com afeto.

biazoliadriana@gmail.com

 

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