O Instituto Rede Mulher realizou, na manhã deste sábado (14), a segunda caminhada pelo fim da violência contra a mulher, reunindo moradores, lideranças comunitárias e representantes de instituições do município de Jandira.
A mobilização teve como tema “Mulheres vivas na defesa de seus direitos” e buscou chamar a atenção da sociedade para o combate ao feminicídio e às diversas formas de violência contra a mulher, além de incentivar o envolvimento dos homens na conscientização de outros homens.
A iniciativa foi organizada pela presidente do instituto, Marly Lobato, e contou com a participação de mulheres, homens, crianças e idosos da comunidade. Também estiveram presentes representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, subseção de Jandira, ativistas, escritores e lideranças de cidades da região, como Osasco, Carapicuíba, Itapevi e Embu das Artes.
A caminhada teve início na Praça 8 de Dezembro e seguiu pelas ruas da região central até a Praça Anielo Gragnano. Durante todo o percurso, o grupo contou com o apoio da Guarda Civil Municipal e do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran), que acompanharam a mobilização para garantir a segurança dos participantes.
Vestidas com camisetas lilás do Instituto Rede Mulher, segurando cartazes, apitos e bexigas, as participantes caminharam entoando palavras de ordem como “Feminicídio basta!” e “Parem de nos matar!”, reforçando o pedido por justiça e políticas de proteção às mulheres.
Durante o trajeto, cartazes com fotos de mulheres vítimas de feminicídio foram exibidos. Alguns nomes foram escritos no asfalto, em um gesto simbólico de memória e denúncia, um tributo às mulheres que tiveram suas vozes caladas e seus passos interrompidos pela violência, vítimas do egoísmo e da brutalidade que ainda marcam a realidade de tantas brasileiras.

Momento de memória e homenagem
Em frente ao Supermercado Barbosa ocorreu um dos momentos mais marcantes da caminhada. Ali foi realizado um ato de memória ao som da trombeta, durante o qual foram lidos os nomes de mulheres vítimas de feminicídio, bem como as circunstâncias de alguns desses crimes.
A leitura foi feita de forma alternada por Marly Lobato e pela jornalista Adriana Biazoli, enquanto participantes seguravam cartazes com as fotos das vítimas e observavam, em silêncio, a homenagem.
Entre os nomes lembrados estavam Francisca Alves (35 anos), Mayla Rafaela (22), Genislene Freire (25), Horaida (84), Leidiane Ferro (44), Eva Domingas (39), Júlia Souza (18), Raquel Cattani (36), Rosângela Oliveira (49), Daiane Pacífico (32), Tamyris Araújo Oliveira, conhecida como Tia Tata (27), e Patrícia Batista Nascimento (41), assassinada em Jandira às vésperas da caminhada.

Cultura, reflexão e orientação
O encerramento aconteceu no coreto da Praça Anielo Gragnano, com falas de representantes da causa e intervenções culturais.
O professor Bruno, responsável pelas aulas de violão e coral do instituto, conduziu suas alunas em uma apresentação do coral que interpretou “Maria, Maria”, de Milton Nascimento , canção símbolo da força e da resistência feminina.
Houve ainda uma intervenção teatral retratando situações de violência psicológica e emocional enfrentadas por muitas mulheres, além de orientações sobre onde buscar ajuda. Na sequência, o professor de artes marciais Vandré Santos apresentou técnicas básicas de defesa pessoal voltadas ao público feminino.
O público também acompanhou a recitação de um poema marcante, escrito por Vinícius Pereira, e apresentações musicais de adolescentes alunas do Instituto Rede Mulher.
O evento foi encerrado por volta das 12h30, reforçando a importância da mobilização social, da denúncia e da união da sociedade no enfrentamento à violência contra a mulher.

Sobre o Instituto Rede Mulher
O Instituto Rede Mulher é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) localizada na Rua das Hortênsias, 64, Vila Ipê, em Jandira. Criado em 2022, o instituto tem se consolidado como um espaço de acolhimento, empoderamento e transformação social.
A entidade presta atendimento e assessoramento voltados à garantia dos direitos das mulheres, idosos e adolescentes, promovendo projetos sociais e educacionais que incentivam o protagonismo feminino e fortalecem os vínculos familiares.
O trabalho da organização é voltado especialmente ao apoio de mulheres em situação de vulnerabilidade social, promovendo iniciativas que incentivam autonomia, autoestima e participação ativa na sociedade.
Idealizado por Marly Lobato, seu esposo Carlos Cremoso (in memoriam) e um grupo de mulheres engajadas, o instituto nasceu da necessidade de promover ações mais efetivas diante do agravamento da violência doméstica durante a pandemia.
Mais informações: (11) 9 8808-4025 | www.institutoredemulher.org
Inscrições online: https://cursosinstitutoredemulher.my.canva.site/
Redes sociais: @institutoredemulher

Sobre Marly Lobato
Marly Lobato, 54 anos, é professora, mãe e ex-secretária da Mulher de Jandira. Apaixonada pela cidade e pela causa feminina, dedica sua trajetória à promoção da educação, da inclusão social e ao fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres.

Texto: Adriana Biazoli – Nossa Oeste – Jornalismo com propósito
Imagens: Ronaldo Pereira
