Formatura do Núcleo de Teatro da Praça das Artes emociona público e celebra a força transformadora da arte

Barueri Cultura

Por Adriana Biazoli – 10/06/2026 

A noite de domingo, 07,  foi marcada por emoção, aplausos, abraços e lágrimas na Praça das Artes de Barueri. Após a apresentação do espetáculo Perdoa-me por Me Traíres, clássico de Nelson Rodrigues dirigido por Nana Pequini, aconteceu a cerimônia de formatura dos alunos das turmas 2, 6 e 7 do Núcleo de Teatro, encerrando um ciclo de aprendizado e abrindo novos caminhos para os formandos.

Familiares, amigos, professores e convidados lotaram o teatro. Ao longo de três dias, o palco da Praça das Artes recebeu montagens distintas, cada uma com sua própria identidade estética, linguagem e proposta cênica. Foram dias intensos, que revelaram não apenas o talento dos alunos, mas também o trabalho cuidadoso de diretores, professores e profissionais dos bastidores.

Encerrada a apresentação de Perdoa-me por Me Traíres, a equipe técnica realizou uma rápida e eficiente transformação no espaço. Os elementos suspensos que integravam o cenário foram cuidadosamente retirados, dando lugar ao ambiente preparado para a cerimônia de formatura.

O trabalho, executado com discrição e excelência, refletiu o mesmo comprometimento demonstrado durante todo o processo de formação. Em poucos minutos, o palco que havia sido ocupado pela dramaturgia transformou-se em um espaço de celebração, onde alunos, familiares, professores e amigos se reuniram para compartilhar uma conquista construída ao longo de anos de dedicação à arte.

Era como se a ficção abrisse caminho para uma das cenas mais verdadeiras daquela noite: o reconhecimento de uma jornada marcada por aprendizado, descobertas, encontros e transformação.

Na sexta-feira, a Turma 6 apresentou Os Sete Gatinhos, sob direção de Bruno Silvério. No sábado, a Turma 7 levou ao palco Boca de Ouro, dirigida por Gisele Winter. Já no domingo, a Turma 2 apresentou Perdoa-me por Me Traíres, sob direção de Nana Pequini, com participação da Turma 5. As três montagens lotaram o teatro e demonstraram a qualidade artística desenvolvida ao longo da formação.

Durante a cerimônia, o secretário de Cultura e Turismo de Barueri, Jean Gaspar, destacou o orgulho de acompanhar a consolidação de um projeto que hoje integra a história cultural do município.

Segundo ele, quando a iniciativa foi criada, existiam apenas cursos livres de teatro. Hoje, a cidade celebra a formação de sucessivas turmas em um curso profissionalizante que oferece uma formação ampla, envolvendo interpretação, construção de personagem, maquiagem e diversas outras áreas das artes cênicas.

Em uma das passagens mais marcantes de seu discurso, Jean Gaspar ressaltou que o teatro vai muito além da técnica.

“O teatro nos ensina a ouvir, compreender o outro, trabalhar em grupo, lidar com nossos medos e enxergar a condição humana em toda a sua complexidade.”

O secretário também destacou que uma sociedade melhor não é construída apenas com tecnologia, infraestrutura ou desenvolvimento econômico, mas também com sensibilidade, imaginação e cultura.

A coordenadora do Núcleo de Teatro, Mônica Granndo, emocionou o público ao recordar a trajetória dos alunos desde o processo seletivo até a formatura.

Em seu discurso, lembrou do brilho nos olhos dos estudantes no primeiro dia de aula, dos ensaios, dos desafios, das descobertas e dos inúmeros espaços da Praça das Artes que se transformaram em salas de experimentação artística.

Para ela, uma das maiores conquistas da jornada foi ver os alunos transformarem medos em criação, dificuldades em encontros e inseguranças em potência.

“Não permitam que a vida endureça vocês”, aconselhou.

Um dos momentos marcantes da noite foi protagonizado pela paraninfa da Turma 7, Nana Pequini.

Enquanto ela falava, o silêncio dominou o teatro. Os formandos acompanhavam cada palavra com atenção absoluta. Era daqueles momentos em que ninguém se distraía, ninguém olhava para o relógio e ninguém queria perder uma frase sequer.

Falando sobre o significado do teatro, Nana definiu a arte como um exercício de persistência.

“Teatro é teimosia.”

Para ela, quem escolhe a arte escolhe também insistir, sonhar, transformar ideias em emoções e dar forma ao que muitas vezes parece invisível.

“A arte transforma vidas, promove encontros e revoluciona pessoas.”

Suas palavras encontraram eco na experiência vivida pelos alunos ao longo dos anos de formação.

Representando os formandos, Carol Pereira falou sobre a importância da educação, da cultura e dos professores.

Filha e irmã de professores, ela destacou a necessidade de valorizar a arte brasileira e reconhecer o papel dos educadores na construção de uma sociedade mais humana e consciente.

“Com vocês aprendemos que teatro não é apenas decorar textos. Aprendemos a olhar nos olhos, a ouvir o outro com mais atenção, mais cuidado e mais afeto.”

Mas foi ao recordar uma pergunta feita no início do curso que Carol emocionou o público.

Questionada sobre onde gostaria de estar caso o mundo acabasse, ela contou que, naquela época, não conseguia responder. Imaginava diferentes possibilidades, lugares e caminhos.

Hoje, porém, sua resposta é definitiva.

“Se o mundo fosse acabar agora, eu gostaria de estar aqui, com essas pessoas, neste lugar que foi tão importante para eu me encontrar comigo mesma.”

A declaração arrancou aplausos e resumiu o sentimento compartilhado por muitos dos presentes naquela noite.

As homenagens aos professores também foram momentos de forte emoção. Uma delas foi dedicada à própria Nana Pequini. Em nome dos colegas, um dos alunos destacou a forma como a professora acolheu a turma e fez com que cada estudante acreditasse em seu potencial.

Segundo ele, foi com Nana que compreendeu verdadeiramente o significado da expressão tão repetida nos corredores do teatro: o teatro é coletivo.

“Ela sempre nos tratou como colegas de profissão. Foi essa confiança que nos fez acreditar mais em nós mesmos e no valor do nosso trabalho como artistas.”

A homenagem também destacou o humor, a generosidade e a capacidade da professora de transformar vidas por meio da arte.

Ao longo da cerimônia, professores, funcionários e profissionais que atuam nos bastidores também foram lembrados com carinho pelos alunos. Equipes da recepção, segurança, limpeza, iluminação, sonoplastia e backstage receberam reconhecimento pela contribuição diária na formação dos estudantes.

O encerramento aconteceu com a exibição de uma retrospectiva em vídeo, reunindo imagens da trajetória das turmas e depoimentos de familiares, amigos e pessoas que acompanharam de perto a caminhada dos formandos.

A emoção tomou conta do teatro mais uma vez.

Mesmo após horas de programação, ninguém parecia ter pressa de ir embora. Os abraços demorados, os olhos marejados e os sorrisos emocionados mostravam que aquela noite representava muito mais do que a entrega de certificados.

Era a celebração de uma jornada construída coletivamente.

A celebração de pessoas que encontraram no teatro um espaço de pertencimento, descoberta e transformação.

Porque, ao final daquela noite, ficou claro que a arte não transforma apenas personagens.

Ela transforma vidas.

 

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Texto: Adriana Biazoli 

Imagens: – Mirafixa 

Jornalismo com propósito 

 

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