Setembro Amarelo — Quando o silêncio pede socorro

Coluna

Por Adriana Biazoli

A tristeza age silenciosamente. Corrói a alma, enfraquece aquilo que existe de bom e, pouco a pouco, faz o pensamento se apegar ao negativo.

Há dores que não fazem barulho.

Elas não aparecem em fotografias, não deixam marcas visíveis no corpo e, muitas vezes, passam despercebidas por aqueles que convivem conosco.

É possível encontrar alguém sorrindo, trabalhando, cuidando da família, conversando, cumprindo suas obrigações e, ainda assim, carregando dentro de si uma imensa vontade de desaparecer.

É sobre isso que precisamos falar durante o Setembro Amarelo.

Mais do que uma campanha, setembro nos convida a olhar para a vida com mais atenção. A perceber que, por trás de um comportamento diferente, de um afastamento repentino, de uma frase aparentemente sem importância, pode existir alguém pedindo ajuda.

Vivemos na era da tecnologia desenfreada. Estamos conectados o tempo inteiro, conversamos com pessoas que estão do outro lado do mundo, acompanhamos suas vidas pelas redes sociais e recebemos milhares de informações diariamente.

Mas será que estamos realmente conectados uns aos outros?

Quantas vezes olhamos para uma tela e não conseguimos perceber quem está sentado ao nosso lado?

Quantas vezes alguém diz “não estou bem” e respondemos apenas: “Isso passa”?

Quantas vezes confundimos tristeza com falta de vontade, depressão com fraqueza, silêncio com indiferença?

Precisamos aprender a ouvir.

A depressão pode atingir pessoas fortes, alegres, inteligentes, criativas, bem-sucedidas. Pode alcançar o poeta, o empresário, o estudante, a mãe, o pai, o jovem, o idoso, aquele que perdeu um amor, aquele que perdeu um emprego, aquele que carrega uma culpa ou simplesmente aquele que já não consegue encontrar sentido para continuar.

A dor emocional não escolhe endereço.

E é justamente por isso que não devemos julgar.

Quando alguém pensa em tirar a própria vida, não está simplesmente fazendo uma escolha entre viver ou morrer. Existe, muitas vezes, uma dor profunda, uma desesperança e uma percepção distorcida de que não há mais saída.

Não cabe a nós condenar.

Cabe acolher.

Cabe perguntar: “Você está bem?”

E, principalmente, estar disposto a ouvir a resposta.

Às vezes, uma conversa pode ser o primeiro passo para que alguém procure ajuda. Um abraço pode significar muito. A presença pode dizer aquilo que as palavras não conseguem: “Você não está sozinho.”

Também precisamos compreender que amar alguém não significa necessariamente saber como ajudá-lo. Existem situações em que o apoio de familiares e amigos precisa caminhar junto com o acompanhamento de profissionais especializados.

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza.

É um ato de coragem.

E se você estiver passando por um momento difícil, não tome uma decisão definitiva diante de uma dor que pode mudar.

Converse.

Procure alguém em quem confie.

Busque ajuda profissional.

Permita-se esperar mais um dia.

Na minha fé, acredito em um Deus que não abandona suas criaturas. Lembro-me da imagem do Pastor que procura a ovelha perdida. Talvez, em determinados momentos, sejamos justamente essa ovelha: cansada, assustada, perdida em algum lugar escuro de nós mesmos.

Mas uma ovelha perdida continua sendo uma ovelha amada.

Talvez Deus se manifeste através de uma pessoa que chega, de uma palavra que ouvimos, de um profissional que nos acolhe, de um amigo que percebe nosso silêncio ou até mesmo de um texto que aparece diante dos nossos olhos no momento certo.

Por isso, neste Setembro Amarelo, não quero falar apenas sobre morte.

Quero falar sobre vida.

Sobre a vida que ainda pode encontrar novos caminhos.

Sobre a vida que merece uma segunda oportunidade.

Sobre a vida que, mesmo machucada, ainda pode florescer.

Que possamos olhar menos para as aparências e mais para as pessoas.

Que possamos trocar o julgamento pela escuta, a indiferença pela presença e o “isso é bobagem” por um simples:

“Estou aqui. Quer conversar?”

Porque nem todo pedido de socorro é feito em voz alta.

Alguns chegam através do silêncio.

E talvez alguém, neste exato momento, esteja esperando apenas que alguém perceba.

Setembro Amarelo nos lembra que falar sobre suicídio é falar sobre prevenção, acolhimento e, sobretudo, sobre a possibilidade de preservar vidas.

Se você está sofrendo, não precisa enfrentar tudo sozinho.

A tempestade passa. A dor pode mudar. E a sua história ainda não terminou.

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