Com ataques as Feministas, Eduarda Campopiano é eleita a deputada estadual mais votada de São Paulo

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Maria Eduarda Campopiano Monteiro, mais conhecida como Eduarda Campopiano, foi a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nas eleições gerais deste domingo (4/10). Ela foi eleita deputada estadual por São Paulo com 1.956.238 votos. A vereadora de Praia Grande superou políticos tradicionais e garantiu uma cadeira na Assembleia.

Quem é a deputada eleita

Filiada ao PL (Partido Liberal), Campopiano tem 23 anos e recebeu mais de 1,9 milhão de votos, à frente de Eduardo Suplicy (PT), que teve 653.753 votos para a Alesp. Nascida em Campinas, em 22 de julho de 2003, ela começou sua atuação pública nas redes sociais aos 18 anos. Sua experiência em cargo eletivo começou na Câmara de Praia Grande, no litoral paulista.

Campopiano ganhou projeção a partir de 2021, quando passou a manifestar suas posições políticas nas redes sociais, e chegou a atuar como comentarista de um programa da Jovem Pan em 2023. Hoje acumula mais de 2,3 milhões de seguidores no Instagram. Na campanha deste ano, ela se associou a Lucas Pavanato, também do PL, eleito deputado federal com a maior votação de São Paulo para a Câmara dos Deputados. Com a eleição de Campopiano, o PL conquistou 28 cadeiras e será a maior bancada de São Paulo na próxima legislatura.

Entre as pautas que defende publicamente estão a criminalização do aborto e o direito ao porte de armas de fogo. O enfrentamento ao movimento feminista é central em sua identidade política — ela já se autodenominou publicamente como opositora do feminismo, e também se posiciona contra a tipificação específica do crime de feminicídio.

Falas polêmicas

Em debate, Campopiano declarou não acreditar que o feminicídio deva ser tratado como uma categoria própria de crime, defendendo que esses casos poderiam ser enquadrados de outras formas. Ela também já defendeu que a agressividade seria uma característica naturalmente mais associada aos homens, posição classificada como grave por veículos de imprensa que cobriram o debate.

Após a eleição, Campopiano também se envolveu em uma polêmica com a deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL), mulher trans, ao publicar nas redes sociais uma mensagem em que a chamou de “homem biológico”, questionando como seria para a parlamentar “saber que nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo”. A publicação ultrapassou 3 milhões de visualizações e foi classificada pela imprensa como um ataque transfóbico. A deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL) acionou o Ministério Público de São Paulo contra Campopiano, pedindo a apuração dos crimes de transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero.

As declarações sobre colonização e povos indígenas

A repercussão em torno de Campopiano não se limita à votação expressiva. Em maio de 2026, durante participação no podcast RedCast, ainda como vereadora, ela afirmou que, sem a catequização promovida pelos colonizadores europeus, os povos indígenas estariam praticando canibalismo no Brasil, chegando a agradecer pela colonização e catequização dos povos originários. Na ocasião, ela também fez referência a sacrifícios e ao enterro de crianças vivas como práticas associadas aos povos indígenas antes da colonização.

Após a repercussão das declarações, a artista e liderança indígena Katú Mirim registrou um boletim de ocorrência contra Campopiano, apontando possível prática de racismo. A deputada federal reeleita Sônia Guajajara (PSOL), ex-ministra dos Povos Indígenas, também informou que apresentará notícia-crime ao Ministério Público Federal contra Campopiano pelas mesmas declarações.

Financiamento de campanha

Dados da Justiça Eleitoral mostram que Campopiano declarou ocupação de vereadora e ensino médio completo. Sua campanha para deputada estadual arrecadou cerca de R$ 755 mil, dos quais mais de 90% vieram do diretório nacional do PL.

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