Por Drauzio Varella

“Mas eu vou beber só um pouquinho…” A frase é comum quando o assunto é consumo de bebidas alcoólicas. Uma taça de vinho, uma cerveja ou uma dose de destilado podem parecer inofensivas. Mas o que a medicina sabe hoje sobre os efeitos do álcool?
Em uma explicação sobre o tema, o médico Drauzio Varella aborda os riscos associados ao consumo de bebidas alcoólicas e questiona algumas ideias bastante difundidas, como a de que pequenas doses seriam benéficas para a saúde ou de que existiriam medicamentos capazes de evitar a ressaca.
O que dizem as informações médicas
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe consumo de álcool completamente livre de riscos. O risco varia conforme a quantidade ingerida, a frequência do consumo e as características de cada pessoa.
A OMS relaciona o álcool a mais de 200 doenças, lesões e condições de saúde, incluindo doenças do fígado e do coração, diferentes tipos de câncer, transtornos relacionados ao uso de álcool, acidentes e lesões.
Drauzio Varella também chama atenção para uma antiga ideia de que uma ou duas taças de vinho poderiam fazer bem ao coração. A existência de possíveis efeitos observados em alguns estudos não significa que o álcool possa ser considerado uma estratégia de proteção cardiovascular.
Outro ponto importante é que o álcool pode interagir com medicamentos. Dependendo da substância, a combinação pode alterar ou potencializar seus efeitos e provocar reações indesejadas.
Por isso, não se deve considerar que um medicamento seja simplesmente um recurso para “compensar” o consumo de bebida alcoólica.
E a ressaca?
A ressaca é uma consequência conhecida do consumo de álcool e pode envolver dor de cabeça, náusea, fadiga, sede e mal-estar.
De acordo com Drauzio Varella, medicamentos utilizados por algumas pessoas antes ou depois de beber podem aliviar determinados sintomas, mas não devem ser confundidos com medicamentos capazes de prevenir a ressaca.
Além disso, medicamentos possuem indicações específicas, contraindicações e possíveis efeitos colaterais. A utilização inadequada pode trazer riscos adicionais.
O que é recomendação?
A partir dessas informações médicas, algumas orientações de segurança são importantes.
Não misturar álcool com medicamentos sem verificar previamente se existe interação. A orientação pode ser encontrada na bula ou obtida com um médico ou farmacêutico.
Não utilizar medicamentos por conta própria para tentar evitar ou “curar” a ressaca. Aliviar um sintoma não significa eliminar os efeitos do álcool no organismo.
Evitar dirigir depois de consumir álcool. A bebida pode comprometer atenção, reflexos, coordenação motora e capacidade de tomar decisões.
E, para quem busca a forma mais eficaz de evitar os riscos diretamente relacionados ao álcool, não consumir bebidas alcoólicas elimina a exposição à substância.
Informação não é julgamento
Separar informação médica de recomendação é importante porque conhecer os riscos não significa fazer julgamento moral sobre quem bebe.
O papel da informação em saúde é apresentar as evidências disponíveis e permitir que cada pessoa compreenda as possíveis consequências de suas escolhas.
No caso do álcool, a ciência já estabeleceu uma relação entre seu consumo e diversos problemas de saúde. A questão, portanto, não é apenas perguntar “quanto posso beber?”, mas também compreender que mesmo pequenas quantidades não são completamente isentas de risco.
Informação médica explica o risco. Recomendação orienta sobre como reduzi-lo. E a decisão consciente começa quando conhecemos os dois lados.

