No último domingo, 24 de agosto, o Jardim Brotinho, em Jandira, foi palco de uma celebração única: o CultMusicPopJan – Cultura da Música Popular de Jandira, um espetáculo nascido da união, da resistência e do amor à arte. O evento tomou conta da rua Presidente Costa e Silva, transbordando cultura, poesia e alegria em cada esquina, em um encontro que ficará gravado na memória coletiva.
Contemplado pelo Edital nº 02/2025/SMCT, com patrocínio do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura de Jandira, apoio da Prefeitura, da Secretaria de Cultura e do Conselho Municipal de Política Cultural, o CultMusicPopJan mostrou, mais uma vez, que quando a arte ocupa os espaços da cidade, ela transforma realidades e aproxima corações.
Magia e diversidade no palco da comunidade

A tarde começou com a leveza dos bonecos de fantoches, onde a contadora de histórias Adriana Biazoli, ao lado da atriz Irany Jesus, deu vida a “Tutu” e “Vovó Bila”. De forma lúdica e divertida, falaram com crianças e adultos sobre sustentabilidade e a importância da coleta seletiva, provando que educação e cultura podem caminhar juntas em forma de encanto.
Na sequência, o público mergulhou nas tradições com os bonecos de mamulengos, interpretados por Irany Jesus e Anna Luisa S. Guedes. Entre risos e reflexões, surgiram lendas e mensagens de cuidado com a natureza, mantendo viva a oralidade popular.
Boi de Barrancas de São Francisco – um espetáculo de ancestralidade e encantamento
O ponto alto da programação foi a apresentação do Boi de Barrancas de São Francisco, que reuniu gerações e talentos diversos em um único ato de celebração popular. Sob a direção de Ruan de Miranda (21 anos), a encenação trouxe à vida a saga que há séculos emociona o Brasil, em um misto de humor, lirismo e ancestralidade.
O espetáculo foi ainda mais grandioso porque reuniu artistas de diferentes idades – dos 6 aos 84 anos – mostrando que a cultura é um elo vivo que conecta infância, juventude, maturidade e sabedoria ancestral em um mesmo palco.
Elenco principal
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Catirina: Irany Jesus (40 anos)
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Pai Francisco: Jordan Vinícius (21 anos)
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Fazendeiro: Jessica Bragov (34 anos)
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Médico: Arielly Amaro (20 anos)
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Padre: Marina Gama (19 anos)
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Curandeiro: Carlos Cabral (17 anos)
Personagens populares
Victor Gabriel Oliveira Rodrigues ( 17 anos) – Vaqueiro
Robert Vinicius Alves Fabricio (16 anos) – Vaqueiro
Fernando Derval (16 anos) – Vaqueiro
Arthur Barbosa da Silva (17 anos) – Vaqueiro
Kennedy Patrik Barbosa de Almeida (18 anos) – Vaqueiro
Davi Andrei Rodrigues (14 anos) – Onça
Arthur Felipe Marques Rodrigues (16 anos) – Mulinha de Ouro
Pedro Henrique Silva Santana (13 anos) Vaqueiro
As Baianas: vozes e cores da tradição
Maria Cecília Rodrigues (6 anos) baiana
Bibis (16 anos): baiana
Vina Rodrigues (58 anos) – Cantora
Fabiola Rodrigues (41 anos) – Cantora e baiana
Isadora Rodrigues (11 anos) – Cantora e baiana
Ana Luiza Mercez (13 anos) – Baiana
Isabella di Lis (11 anos) – Baiana
Maria José da Silva (71 anos) – Baiana
Salete da Silva (65 anos) – Baiana
Afonsina Assis (84 anos) – Baiana
Lúcia Helena de Assis (62 anos) – Baiana
Maria do Rosário Alves Barbosa (48 anos) – Baiana
Mel Evelyn (17 anos) – Baiana
Kemilly Rodrigues (15 anos) – Baiana
Melyssa Mercez (10 anos) – Baiana
A música que embala o Boi
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Luiz Alberto Rodrigues Pereira, Luiz Abidalas (50 anos) – Cantor e tocador
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José Inácio do Nascimento (71 anos) – Tocador de bumba
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Edvaldo Ramalho (43 anos) – Tocador
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Ricardo Ferreira (30 anos) – Tocador de caixa
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Natanael Rodrigues Moreno (24 anos) – Tocador de caixa
Porta-bandeira

A inesquecível Boneca Miuxa (Cleo Santos), que com sua graça e carisma, atraiu crianças e adultos, tornando-se símbolo vivo da magia popular.
O Boi de Barrancas foi mais do que uma apresentação: foi o encontro entre memória e futuro, tradição e renovação. A cada riso, a cada batida de tambor e a cada gesto teatral, o público reconheceu no espetáculo a grandeza da cultura popular, reafirmando que o verdadeiro patrimônio de uma cidade é o seu povo e a sua arte.
Música que ecoa identidade e pertencimento
O palco também foi tomado pela música, que trouxe diversidade e emoção em cada acorde.
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MC Abdalas, acompanhado do filho Nael, fez do rap um grito de resistência e orgulho, rimando sobre identidade e território.
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O forró pulsante de Gedvan Lima fez o público arrastar os pés, aquecendo corações com ritmo contagiante.
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A cantora Claudia Calango emocionou com sua voz potente, em um repertório autoral e interpretações de clássicos da MPB.
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E, para encerrar, a energia de Josy Campos – a Braba do Piseiro, colocou todos para dançar, em um encerramento alegre e vibrante, digno de uma grande celebração popular.



Cultura viva no coração da comunidade
Enquanto a música ecoava e as encenações arrancavam risos e reflexões, a vida cotidiana do Jardim Brotinho se misturava ao espetáculo: crianças que deixaram o escorregador para correr atrás de personagens, janelas que se abriram para ver o palco colorido, famílias que se reuniram em torno da praça e até o silêncio momentâneo das pipas no céu, que desceram para não competir com o brilho da cultura.
O CultMusicPopJan foi mais do que um evento: foi a prova de que a cultura, quando chega perto das pessoas, desperta pertencimento, gera memória e fortalece laços.
Uma festa feita com e para a comunidade, onde cada artista, cada criança, cada olhar curioso e cada aplauso construíram juntos a poesia que só a arte é capaz de escrever.






Redação Nossa Oeste