Despeço-me de um amigo.
Escrever este texto é um ato difícil. As palavras hoje pesam, hesitam, doem. Recorri aos livros de poemas escritos por ele, reunidos em coletânea literária, como quem busca abrigo na própria voz de Gê. Queria ter escrito sobre sua vida ainda em vida. Há cerca de três meses, enviei-lhe um questionário, com o desejo de registrar sua trajetória a partir do olhar dele. Hoje, lamento não ter ido pessoalmente colher essas histórias.
Despeço-me com o coração partido. Despeço-me também de um ex-patrão, alguém que me reconheceu como a profissional que eu era, alguém que enxergava o ser humano com doçura, respeito e sensibilidade.
“Então serei por séculos venturoso.”
Gê escreveu esse verso como quem já pressentia que a vida não se encerra no tempo cronológico, mas permanece naquilo que se semeia. E hoje, ao nos despedirmos, é exatamente assim que ele se faz presente: venturoso na memória, vivo nas histórias, permanente na cidade que escolheu para amar.
Nos seus poemas, Gê falava de aventuras, de caminhar o mundo, de existir “no tempo sem tempo”. Na vida pública, viveu isso com coerência. Natural de Garanhuns, construiu em Jandira não apenas uma trajetória política, cinco mandatos como vereador e um como prefeito, mas uma relação humana profunda, feita de escuta, proximidade e cuidado verdadeiro com as pessoas.
“Correrei mundo nas histórias”, escreveu ele. E correu. Correu pelos bairros, pelas conversas simples, pelos encontros possíveis. Governou olhando nos olhos, reconhecendo a dignidade de cada cidadão e compreendendo que política também é afeto, presença e responsabilidade humana.
Amigo sensível, marido, pai, avô, companheiro de caminhada por mais de 35 anos para quem teve o privilégio de partilhar sua vida, Geraldo Teotônio, o nosso Gê, foi desses seres raros que deixam marcas sem fazer ruído. Sua escrita revelava o homem atento ao mundo; sua prática confirmou o homem comprometido com gente.
À cidade de Jandira, fica o recado silencioso que ele nos deixa: que continuemos acreditando na palavra, no diálogo e na humanidade como base de qualquer projeto coletivo. Que o exercício do poder nunca se afaste do coração.
Neste momento de dor, nos solidarizamos com seus familiares, amigos e com toda a população jandirense. Que haja serenidade para atravessar a despedida e gratidão pelo tempo vivido.
Sua compreensão da imortalidade da alma, te levará para outras terras, deixa para trás lágrimas de saudades sinceras e muita gratidão desta amiga que desde sempre teve um olhar afetuoso e grande admiração por você.
Sei que você Gê seguirá, nas histórias, nos versos, nas lembranças.
No tempo sem tempo, você permanecerá.
Ultimo Adeus
AlphaCampus a partir das 13h com sepultamento às 16h.
Estr. Estadual Barueri-Itapevi, 498 – Parque Nova Jandira, Jandira – SP



Por Adriana Biazoli

