Um texto escrito em 2016, relido em 2026, que continua mais atual do que deveria
Em abril de 2016, no auge de um dos momentos mais tensos da história política recente do Brasil, publiquei um texto. Guardei na memória do Facebook. Ele voltou agora, como uma lembrança que não pede licença.
Decidi não ignorar. Decidi falar.
O que vivi naquele período foi um pesadelo. O processo de impeachment de Dilma Rousseff havia começado em dezembro de 2015 e se concluiria em agosto de 2016. O país estava rachado. Nas ruas e nas redes sociais, o ódio não encontrava freio. E eu estava no meio disso, entre os que foram perseguidos por simplesmente ter uma opinião.
O que poucos sabem é que aquele ódio fomentado chegou a um ponto tão extremo que cheguei a cogitar o suicídio. Isso mesmo. O peso das ofensas, da perseguição constante, do desrespeito sistemático chegou a um lugar que eu não desejo a ninguém.
Me posicionei. Disse que um réu não poderia presidir um processo de impeachment, Cunha era réu, e isso era um fato. Disse que mais de 16 governadores haviam cometido pedaladas fiscais, que o FHC havia cometido mais de 100. Expresssei meu ponto de vista em um país que se diz democrático. E fui terrivelmente ofendida por isso.
Quando não há contra-argumento, vêm os xingamentos. Ofensas à origem nordestina. Ao gênero. À condição social. É o sinal mais claro de que o debate acabou e o ódio assumiu o controle.
Pessoas matam no ápice da ira. Pessoas se machucam. A civilidade some em segundos quando o outro decide que discordar é motivo suficiente para destruir.
Não dá para ser seletivo com o que é errado. Errado é errado, não importa de qual lado vem. Compactuar com erros é errar junto — e quem está atolado na lama não tem moral para apontar o vizinho.
Sou limitada em conhecimento — e assumo isso sem vergonha. Mas busco mudar isso ouvindo. Se os argumentos tiverem base, não tenho dificuldade em mudar de opinião. A arrogância nos condena à alienação.
A pior de todas as pobrezas não é a material. É ser pobre de espírito.
Hoje, dez anos depois, o Brasil ainda carrega marcas daquele período. As redes sociais continuam sendo espaço de ódio fácil e debate difícil. E eu sigo acreditando que o diálogo civilizado, mesmo que imperfeito, é o único caminho que nos salva de nós mesmos.
Na dúvida: busque veículos imparciais. Ouça os sensatos. E nunca subestime o tamanho do estrago que uma palavra de ódio pode fazer na vida de alguém que você nem conhece.
Sobre Autora

Adriana Biazoli é jornalista, escritora, contadora de histórias e apaixonada pela arte de comunicar. Com sensibilidade e escuta atenta, transforma encontros e vivências em narrativas que tocam o coração. Avó de três , sendo uma; criança autista, escreve para informar, acolher e inspirar.
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