O podcast Fala Jandirense, apresentado pelo advogado e comunicador Dr. Paulo Oliveira, recebeu dois nomes de grande relevância para a história cultural da cidade: Marcos Torquato, conhecido como “Poeta Andarilho” e fundador do histórico movimento Berço das Artes, e Vinícius Pereira, poeta, produtor editorial, gestor público e articulador de importantes projetos de incentivo à leitura e à literatura.
Mais do que uma entrevista, o encontro se transformou em uma verdadeira aula sobre a trajetória da cultura jandirense, seus avanços, desafios e perspectivas para o futuro.
Marcos Torquato é reconhecido por sua atuação na mobilização artística desde o final da década de 1990. À frente do Berço das Artes, ajudou a dar visibilidade a artistas locais em um período em que o incentivo cultural ainda era bastante limitado. Com sua postura crítica e seu compromisso com a valorização da produção artística da cidade, tornou-se uma das principais referências da cultura popular de Jandira.

Já Vinícius Pereira representa uma geração que alia produção literária, gestão cultural e democratização do acesso ao conhecimento. Filho da educadora Maria Ieda, cresceu cercado por livros e encontrou na literatura um caminho de transformação pessoal. Autor, organizador da antologia Poesia de Jandira e criador do projeto Intervenção Cultural – Sarau, Livros e Mais, Vinícius tem se destacado pelo trabalho de incentivo à leitura, pela publicação de novos autores e pela utilização de ferramentas digitais para ampliar o acesso à produção literária.

Durante a conversa, os convidados fizeram um resgate histórico da cultura no município, lembrando movimentos, artistas, gestores e projetos que contribuíram para a construção da identidade cultural de Jandira ao longo das últimas décadas.
Entre os pontos positivos destacados, ganhou destaque a criação do Fundo Municipal de Cultura, considerada por ambos uma importante conquista para os artistas locais. Segundo os participantes, a iniciativa ampliou as oportunidades de financiamento de projetos, estimulou o surgimento de novos artistas e colocou Jandira entre os municípios que buscaram estruturar políticas públicas permanentes para a cultura.
Também foram lembrados projetos marcantes como o Berço das Artes, os espetáculos Navio Negreiro e Quizomba, além de diversas iniciativas teatrais, literárias e educacionais que ajudaram a formar público e revelar talentos.
Outro aspecto valorizado foi o perfil dos artistas jandirenses, descritos como atuantes, participativos e comprometidos com a defesa das políticas culturais, mantendo uma postura de cobrança constante junto ao poder público para garantir a continuidade dos avanços conquistados.
Por outro lado, a entrevista também abriu espaço para reflexões e críticas construtivas.
Entre os desafios apontados estão a necessidade de atualização da legislação cultural municipal para adequação ao atual Marco Regulatório do Fomento à Cultura, a falta de continuidade de algumas políticas públicas, dificuldades na gestão dos equipamentos culturais e a percepção de que, em determinados momentos, a produção cultural passou a depender quase exclusivamente dos editais de fomento.
Os participantes também demonstraram preocupação com o estado de estruturas ligadas à educação e à formação cultural, citando o processo de sucateamento de espaços que já desempenharam papel importante na capacitação da população.
Outro tema abordado foi a necessidade de ampliar o acesso à leitura e fortalecer bibliotecas e espaços de difusão cultural, entendidos como instrumentos fundamentais para a formação de novos leitores, artistas e cidadãos.
Ao longo da conversa, ficou evidente um consenso entre os convidados: a cultura de Jandira avançou significativamente nas últimas décadas, mas ainda precisa de investimentos permanentes, planejamento de longo prazo e valorização dos agentes culturais que ajudaram a construir essa trajetória.
Mais do que recordar o passado, o episódio serviu para reafirmar a importância da memória cultural da cidade e para lançar reflexões sobre os caminhos necessários para fortalecer a arte, a literatura e a produção cultural das futuras gerações.
O encontro reuniu experiência, conhecimento e paixão pela cultura, tornando-se um importante registro histórico para todos aqueles que acreditam no poder transformador da arte e da educação.
Assessoria de Imprensa
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