A beleza de simplesmente viver

Cultura Coluna

Ah, maturidade…

Ela chega acompanhada de dores, risos, experiências e, espero, alguma sabedoria. Embora nem todos aprendam com o tempo.

Minha casa é repleta de placas decorativas. Eu gosto delas. Algumas ainda fazem sentido para mim. Outras, percebo hoje, já não fazem — e talvez algumas nunca tenham feito.

Uma delas dizia:

“Trabalhe duro, sonhe e nunca desista.”

Hoje eu talvez a reescrevesse:

“Trabalhe até a exaustão e, quando dormir exausto, sonhe… se puder.”

Porque os sonhos que realmente valem a pena não deveriam exigir de nós a exaustão como preço.

Não deveriam exigir que abríssemos mão das boas companhias, dos abraços demorados, das conversas sem pressa, dos momentos memoráveis e da simplicidade bonita de um dia qualquer.

Afinal, quando ouvimos os relatos de pessoas em cuidados paliativos, em seus momentos finais, uma coisa aparece com frequência: os arrependimentos.

O tempo que não voltará.

As pessoas que ficaram para depois.

As coisas simples que poderiam ter sido vividas, mas foram adiadas em nome de algo que parecia urgente, grandioso, indispensável.

E talvez seja essa uma das maiores lições da maturidade:

nem tudo o que perseguimos merece o preço que pagamos.

Porque aquilo que era tão importante, aquilo pelo qual nos cansamos tanto, muitas vezes não cabe na mala quando chega a hora de partir.

O que fica são os afetos.

As histórias.

Os risos.

Os encontros.

Aquele café tomado sem pressa.

O abraço que demos.

O abraço que recebemos.

As pequenas alegrias que, enquanto vivíamos, pareciam pequenas demais para merecer nossa atenção.

Por isso, aquela placa já não faz sentido para mim.

Hoje eu prefiro outra frase:

Trabalhe, sonhe, realize… mas não se esqueça de viver enquanto isso.

Porque a vida não acontece depois que alcançamos o sonho.

A vida é o caminho.

Por:  Adriana Biazoli

Imagem – gerada por IA

SOBRE  AUTORA

Adriana Biazoli

Adriana Biazoli é jornalista, escritora, contadora de histórias e apaixonada pela arte de comunicar. Com sensibilidade e escuta atenta, transforma encontros e vivências em narrativas que tocam o coração. Avó de três , sendo uma; criança autista, escreve para informar, acolher e inspirar.

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