“Nunca Vimos Nada Assim”: a Droga que Quase Dobrou a Sobrevida do Câncer Mais Temido da Medicina

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Daraxonrasibe reduz risco de morte em 60% e é apontado como possível novo padrão de tratamento para a doença mais letal da oncologia

Chicago, junho de 2026 — O maior congresso de oncologia do planeta foi palco de um momento histórico. Quando os resultados do estudo RASolute 302 apareceram na tela durante a reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), em Chicago, médicos e pesquisadores aplaudiram de pé — uma reação incomum em congressos científicos. O motivo: uma pílula experimental contra o câncer de pâncreas metastático quase dobrou a sobrevida de pacientes que já não respondiam à quimioterapia.

O medicamento se chama daraxonrasibe, e seus dados podem representar a maior virada no tratamento do câncer de pâncreas em décadas.

O inimigo mais difícil da oncologia

O câncer de pâncreas é considerado um dos tumores mais letais e resistentes ao tratamento. Cientistas sabem há décadas que uma mutação no gene KRAS é responsável por até 90% dos casos da doença. No entanto, até agora, nenhum medicamento havia conseguido atacar diretamente essa mutação.

O daraxonrasibe pertence a uma nova classe de fármacos chamados inibidores RAS, que desativam as células cancerígenas impulsionadas por proteínas mutantes. Como resumiu um pesquisador durante o congresso: “KRAS sempre foi a grande baleia branca da oncologia. Sempre pensamos que, se houvesse uma maneira de desligar esse alvo, poderíamos tratar o incurável.”

Os números que emocionaram Chicago

O estudo RASolute 302 foi um ensaio clínico internacional, aberto, randomizado de fase 3, que avaliou a eficácia e a segurança do daraxonrasibe — um inibidor oral multisseletivo de RAS(ON) — em comparação com quimioterapia à escolha do investigador, em pacientes com adenocarcinoma ductal de pâncreas metastático previamente tratado. Foram incluídos 500 pacientes, dos quais 91,8% apresentavam mutações RAS G12.

A mediana de sobrevida global foi de 13,2 meses no grupo daraxonrasibe versus 6,6 meses no grupo quimioterapia, correspondendo a uma redução de 60% no risco de morte.

A sobrevida observada no estudo, focado em tumores avançados que já não respondiam à quimioterapia, ficou acima da registrada em trabalhos anteriores que usaram quimioterapia como tratamento inicial. A coautora Eileen O’Reilly, oncologista do Memorial Sloan Kettering Cancer Center de Nova York, foi direta: “Quase nada chegou a essa magnitude” em estudos anteriores.

Uma pílula diária com menos efeitos colaterais

Além dos resultados de sobrevida, o daraxonrasibe causou menos efeitos colaterais graves: apenas 11% dos pacientes interromperam o tratamento devido a reações adversas, um índice bem inferior ao da quimioterapia.

O medicamento traz efeitos colaterais como vermelhidão na pele e feridas na boca, mas raramente em intensidade suficiente para levar o paciente a interromper o tratamento. Segundo médicos no congresso, as reações de pele geralmente são controladas com antibióticos e cremes.

Como a droga também pode atingir proteínas RAS presentes em células normais, alguns pacientes apresentam efeitos adversos, principalmente diarreia e lesões de pele. Outro ponto de atenção é o desenvolvimento de resistência tumoral ao tratamento ao longo do tempo.

Perspectivas e próximos passos

O coordenador do estudo no Dana-Farber Cancer Institute, Dr. Brian Wolpin, destacou: “É empolgante pensar que em breve poderemos ajudar pacientes com câncer de pâncreas metastático de maneiras que antes não era possível, melhorando tanto a sobrevida quanto a qualidade de vida.”

O oncologista clínico Diogo Bugano, do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que os resultados representam um avanço importante em uma área que há décadas conta principalmente com a quimioterapia como opção terapêutica. Cerca de 90% dos casos de câncer de pâncreas apresentam mutações em RAS, o que amplia o potencial de aplicação da estratégia terapêutica. Especialistas já avaliam o uso do daraxonrasibe em etapas mais precoces do tratamento da doença.

O medicamento, que já havia recebido o status de Breakthrough Therapy (terapia inovadora) pela FDA, aguarda aprovação regulatória e representa uma nova era de esperança para pacientes e famílias que enfrentam um dos diagnósticos mais temidos da medicina.

Fontes: Metrópoles, Portal Afya, Brasil 247, InfoMoney, Gazeta Brasil, TribeMD

Imagens de reprodução 

Redação Nossa Oeste
Jornalismo com Propósito 

 

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