Parem de nos matar: a voz das mulheres de farda ecoa

Acontece

por Patrícia Martins

Vida além da farda

Hoje, dia 23 de março de 2026, em Vitória, no Espírito Santo, uma linda menina, de 8 anos – ficou sem o sorriso da sua mãe, sem abraço, sem colo, sem cafuné e principalmente, sem aquela que mesmo cansada, após 12 horas de plantão, com uma farda pesada e o suor em seu rosto, certamente nunca deixou de lhe oferecer amor, calor e abrigo.

No mês passado (fevereiro/2026), Dayse Barbosa, @guardadevitoria_dayse a Comandante da GCM de Vitória, no Espírito Santo, escreveu um trecho lindo, parabenizando sua filha e dizia assim:
“Há oito anos, eu descobri que amor não se divide, se multiplica. Que ser inteira é, na verdade, ser metade de alguém. Ela é minha outra metade, meu reflexo, meu maior acerto. Mamãe ama você, minha menina…”

Reescrevi esse trecho, para mostrar que somos muitas Dayses e Giseles dentro das corporações policiais. E que existe VIDA, além da farda e da “armadura”, que nós com todo amor servimos e damos nossas vidas pelas pessoas e à Pátria mãe gentil.

Mas, nessa noite, como mulher, mãe, filha, tia, Guarda Civil Metropolitana de São Paulo (com muito orgulho), mas nesse momento com aperto no peito e os olhos cheios de lágrimas, imploro aos “homens de bem”: PAREM DE NOS MATAR. Nos deixem seguir, as nossas vidas em paz!

E por meio, dessas linhas, venho humildemente rogar a duas mulheres, que nos representam e ocupam espaços de poder, dominados pelo patriarcado, às Sras. Ministras – Cármen Lúcia e à Márcia Lopes.

Não deixem minhas irmãs de fardas, virarem apenas estáticas do feminicídio. Pois, eram vidas preciosas que estavam por trás daquelas fardas e todas vidas importam.

Basta de Feminicídios! Queremos ter o direito de viver e ver os nossos filhos crescerem e formarem suas famílias…

Sras. Ministras, espero que quando eu “pegar no papel e caneta para escrever”, sobre minhas Irmãs de Fardas, seja para contar as histórias do quanto somos heroínas e protagonistas de nós mesmas.

Com todo amor, carinho e minha mais respeitosa continência às nossas irmãs de fardas – Dayse, Gisele e suas famílias. ❤️

Sobre autora: 

Patrícia Martins é jornalista de formação e atua há nove anos como Guarda Civil Metropolitana de São Paulo. Integra a Patrulha Maria da Penha, dedicando-se ao enfrentamento da violência contra a mulher. Moradora de Jandira, é mãe e palestrante, sempre presente nas ações de conscientização da comunidade. Atua também na OAB local e participa do Instituto Rede Mulher, fortalecendo iniciativas de proteção, acolhimento e orientação para outras mulheres.

CE Patrícia Martins
GCM-SP

@jornalista.paty.martins

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