Erros comuns na rotina alimentar podem comprometer a saúde dos pets

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Médico-veterinário aponta hábitos dos responsáveis que podem provocar problemas de saúde nos animais, além de rejeição e desperdício de alimento

A alimentação é um dos pilares da saúde e da qualidade de vida de cães e gatos. Mas enquanto os especialistas reconhecem essa importância, muitos responsáveis por pets mantêm hábitos aparentemente inofensivos, como deixar comida no comedouro de um dia para o outro, armazenar a ração de forma inadequada, não realizar a troca gradual do alimento quando recomendada, oferecer alimento ou petiscos em excesso e negligenciar a higienização dos recipientes, que podem comprometer o bem-estar do animal, a qualidade do alimento e até o interesse pela refeição.

Segundo Gustavo Quirino, médico-veterinário que atua na capacitação técnica da Adimax, esses comportamentos podem impactar diretamente a saúde digestiva, o peso e até o comportamento alimentar dos pets. “Muitas vezes, o responsável acredita que está facilitando a rotina do animal, mas pequenos descuidos podem causar perda de palatabilidade, contaminações e dificuldade de adaptação ao alimento”, explica.

A forma como o alimento é oferecido e armazenado faz diferença na saúde, na nutrição e até na relação do pet com a comida. Quirino relaciona cinco erros comuns na rotina alimentar dos animais e orienta como evitá-los:

1. Deixar o alimento no comedouro de um dia para o outro

Embora seja um hábito comum, manter a ração no comedouro por longos períodos pode favorecer a perda de aroma e textura, características importantes para estimular o consumo. Além disso, pode atrair insetos e outras pragas transmissoras de doenças. A recomendação é de que eventuais sobras do alimento seco sejam descartadas após 24 horas.

“O alimento exposto ao ambiente sofre oxidação e perde atratividade ao longo das horas. Isso pode levar o pet a rejeitar a refeição ou consumir menos nutrientes do que sua necessidade diária”, comenta.

O ideal é que a quantidade diária de alimento seja fracionada ao longo do dia. Para cães adultos e idosos, a recomendação é oferecer duas ou três refeições diárias, evitando longos períodos em jejum. Já os para os filhotes, a quantidade deve ser dividida em, no mínimo, três porções diárias.

“Vale lembrar que oferecer mais refeições ao dia não significa aumentar a quantidade total de alimento, mas sim dividir a porção total diária em diferentes momentos”, lembra Quirino.

2. Não retirar sobras de alimentos úmidos

Os alimentos úmidos costumam ser bastante palatáveis, mas exigem atenção redobrada. Quando permanecem expostos por muito tempo, especialmente em temperaturas elevadas, podem sofrer alterações e favorecer a proliferação de microrganismos.

“O ideal é retirar o alimento úmido que não foi consumido em até 30 minutos, evitando a deterioração e a atração de insetos que podem contaminar o alimento ou transmitir doenças ao animal. Após aberto, o produto deve ser armazenado corretamente na geladeira, respeitando as indicações da embalagem”, orienta.

3. Armazenar a ração fora da embalagem original

Transferir a ração para recipientes sem vedação e que não bloqueiem a passagem de luz, como os transparentes, é outro erro comum entre os responsáveis por pets. O ideal é que o alimento seja mantido na embalagem original, já que a parte interna é desenvolvida justamente para protegê-lo de fatores como luz, umidade e oxidação, além de conter todos os dados do fabricante, como lote e prazo de validade (caso o responsável precise entrar em contato a empresa).

“A embalagem original protege o que está dentro do alimento, como gorduras, aromas e umidade, e evita que fatores externos, como luz, oxigênio e odores, comprometam a qualidade do produto. Também é fundamental mantê-la sempre bem fechada e ao abrigo do sol e da umidade”, afirma o médico-veterinário.

Mesmo para quem compra embalagens maiores, de 10 ou 15 quilos, a recomendação é conservar o alimento na própria embalagem. “Algumas empresas já utilizam tecnologias para fracionar a embalagem grande em pacotes menores, garantindo a segurança do alimento”, completa.

4. Trocar o alimento de forma repentina

Em algumas circunstâncias, a troca do alimento é recomendada para garantir a qualidade de vida e a longevidade do animal. Mudança de fase da vida, necessidades nutricionais específicas, alterações de saúde e até preferências individuais são alguns exemplos. No entanto, mudanças bruscas na alimentação podem causar desconfortos gastrointestinais, como vômitos, diarreia e rejeição alimentar.

“O sistema digestivo do pet precisa de tempo para se adaptar ao novo alimento. A troca gradual ajuda a evitar problemas digestivos e permite que o organismo do pet se ajuste de forma adequada ao novo alimento”, explica.

Nesse processo, introdução do novo alimento deve ser feita de forma gradativa, misturando-o ao alimento atual por, no mínimo, sete dias, sendo:

– 1º e 2º dias: 25% da nova ração com 75% da antiga;

– 3º e 4º dias: 50% da nova ração com 50% da antiga;

– 5º e 6º dias: 75% da nova ração com 25% da antiga;

– 7º dia em diante: 100% da nova ração.

Vale lembrar que, em casos específicos, esse período pode ser ajustado conforme orientação do médico-veterinário.

5. Oferecer petiscos em excesso

Os petiscos são uma das formas mais comuns de os responsáveis demonstrarem carinho aos pets, desde os industrializados até as frutas permitidas para eles. No entanto, oferecê-los sem controle pode levar ao consumo excessivo de calorias e, consequentemente, ao ganho de peso.

“Quando oferecidos em excesso, os petiscos podem ainda reduzir o interesse pela alimentação principal e favorecer a obesidade, que atualmente está entre as doenças metabólicas mais comuns em cães e gatos”, alerta Gustavo Quirino.

A recomendação é que os petiscos representem apenas uma pequena parcela da ingestão calórica diária e sejam oferecidos com moderação, conforme recomendação da embalagem.

Quirino lembra ainda que o alimento deve ser oferecido aos pets em recipiente sempre limpo, higienizado diariamente com água e sabão, assim como o recipiente de água. Além disso, devem ser mantidos em local limpo, protegido do sol e da chuva e distante do espaço onde o animal faz as necessidades.

 

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