Menino autista desaparece e é encontrado morto em estação de esgoto em Marília — uma tragédia que parou o interior de SP

São Paulo Coluna

João Raspante Neto tinha 13 anos, era não verbal e estava em uma chácara da família quando desapareceu; mais de mil pessoas participaram das buscas


Marília acordou em luto na manhã de terça-feira, 7 de abril. O corpo de João Raspante Neto, 13 anos, foi encontrado na madrugada dentro de uma lagoa da Estação de Tratamento de Esgoto Barbosa, na zona sul da cidade, encerrando horas angustiantes de buscas que mobilizaram mais de mil pessoas.

João tinha diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista nível 3 — o grau mais severo de suporte — e era não verbal, o que significa que não conseguia se comunicar por palavras. Por esse motivo, havia sido levado com a família a uma chácara no bairro Nova Marília 4, ambiente mais tranquilo, em um dia em que estava mais agitado que o habitual. Na tarde de segunda-feira, 6 de abril, ele saiu sozinho do local e não foi mais visto com vida.

O desaparecimento mobilizou imediatamente equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal e o grupamento aéreo Águia. Voluntários e moradores se juntaram às forças de segurança em uma operação de busca que percorreu uma área de aproximadamente 2,5 km² sob chuva e na escuridão da madrugada.

Os primeiros sinais foram encontrados perto da lagoa: as roupas e o celular de João estavam em uma das margens. Pouco depois, o corpo foi localizado próximo à margem oposta. Não havia sinais aparentes de violência. A principal linha de investigação aponta para afogamento acidental — peritos encontraram indícios de que alguém teria escorregado na lona plástica que reveste a lateral da lagoa.

A Polícia Civil registrou o caso como morte suspeita, procedimento padrão para que todas as circunstâncias sejam investigadas, incluindo as condições de segurança da estação de tratamento, que fica próxima a uma área residencial. As investigações seguem abertas.

A comoção ultrapassou as fronteiras de Marília. A irmã de João, Marcella Rossi, havia publicado nas redes sociais pedindo ajuda nas buscas, compartilhando inclusive uma foto dos chinelos do irmão encontrados próximo ao alambrado da ETE. O irmão de João, o jogador profissional de eSports Gustavo “Sacy” Rossi — campeão mundial da modalidade — usou suas redes para agradecer a todos que se mobilizaram e pediu respeito e espaço à família neste momento de dor extrema.

A Prefeitura de Marília decretou luto oficial de um dia. O sepultamento ocorreu na própria terça-feira, no Cemitério da Saudade.

A morte de João reacende um debate urgente: como garantir a segurança de pessoas com autismo severo em ambientes abertos? E quais são as responsabilidades do poder público em relação à segurança de instalações como estações de tratamento de esgoto localizadas próximas a áreas habitadas?

Perguntas que a investigação ainda precisa responder. O que já se sabe é que uma família perdeu um filho, um irmão — e uma cidade inteira sentiu.

Redação Nossa Oeste – Com informações G1 

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